quinta-feira, 22 de julho de 2010

Veja como turbinar sua produtividade e desempenho no trabalho

Motivos não faltam para o rendimento no trabalho diminuir. Mas o que fazer nessa situação, como melhorar o próprio resultado? Na primeira matéria do Portal Administradores sobre o tema, veja o que o funcionário deve fazer para modificar essa postura


Atire a primeira pedra o profissional que nunca, em algum dia de trabalho, obteve um rendimento abaixo do esperado em suas atividades.

acúmuloA verdade é que existem alguns dias que parece que acordamos com o "pé esquerdo" e não conseguimos render exatamente aquilo que somos capazes. Mas, o problema é quando esse dia passa a ser uma constante na vida do profissional e a queda de produtividade começa atrapalhar e interferir completamente na rotina da pessoa, dentro do trabalho e fora dele.

Motivos para esse marasmo improdutivo podem ser os mais variados. De acordo com a diretora executiva da SimGroup, Sueli Brusco, que é especialista em psicologia comportamental e automotivação, esses fatores podem estar vinculados diretamente às atividades exercidas pelo profissional na empresa. "Os motivos podem ser devido à gestão (liderança), ausência de metas, de transparência, e de falta de reconhecimento da equipe".

O consultor Carlos Contar, da Business Partners Consulting, aponta outras razões que também atrapalham o desempenho. "Os vilões no rendimento de um funcionário podem estar vinculados a falta de foco na atividade e do pleno entendimento de sua missão dentro da estrutura da própria organização. Além disso, podem estar ligadas ao relacionamento interpessoal com os colegas de trabalho".

Por outro lado, há aspectos ligados ao próprio colaborador que, por estarem passando por algumas patologias ou problema pessoal, podem prejudicar esse rendimento. "Muitas vezes temos problemas em áreas de nossa vida, como a financeira, intelectual, emocional, relacionamento familiar, relacionamento íntimo, ou lazer e acabamos direcionando essas outras insatisfações para área profissional" indica Daniela Lago, consultora em Recursos Humanos e professora em cursos de MBA da FGV.

E agora, como melhorar meu rendimento?

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Especialistas e consultores em gestão pessoal, entrevistados pelo Portal Administradores, são unânimes em dizer que o profissional que passa por uma situação de rendimento abaixo do esperado nas tarefas, antes de tudo, deve buscar identificar qual é o problema que o atinge, para então, tomar a iniciativa na resolução do que causa essa constante improdutividade.

"Conheci várias pessoas que clamavam por ajuda e não eram ouvidas. Então elas reclamavam e não faziam nada para reverter a situação. Colocavam a culpa no chefe, na empresa, na cultura, no país. Passavam o dia olhando somente os erros dos outros e culpando todos pelos seus problemas. Nesses casos, se deve primeiro pensar por que isso está acontecendo. Será que é somente o trabalho ou existe outra área de sua vida que não está bem?", relata a consultora em Recursos Humanos, Daniela Lago.

Para a psicóloga comportamental Sueli Brusco, a dica é fazer um check-up pessoal para avaliar as habilidades e ter em mente como o empenho gerou tais resultados negativos. "A auto avaliação é uma maneira de perceber as nossas falhas, os pontos fracos e fortes quando desejamos superar barreiras. Sem essa auto análise, os erros podem persistir, ou os resultados virem com muito desgaste".

A busca pelo retorno à produtividade pode estar também ligada diretamente a motivação e auto estima do profissional. Às vezes, uma reciclagem como cursos, especializações e novas atualizações para a carreira, pode ajudar a elevar o rendimento no trabalho. "Por isso, o profissional deve estar sempre em busca de mais conhecimento e de aperfeiçoamento, além de outras ações que o motivem para desempenhar seu papel dentro da organização", destaca a consultor Carlos Contar, da Business Partners Consulting.

Mas quando se perceber que o problema da má produtividade é de cunho pessoal, falar com o chefe pode ser uma boa saída. "Converse com seu líder para que, se necessário, possa tirar uns dias de folga para resolver. Somos seres humanos, passíveis de erro e não é sempre que conseguimos entrar na empresa e 'desligar' dos problemas pessoais", relata a consultora Lago.

estresse

Estresse, o vilão invisível

O excesso de cobrança no trabalho, carga excessiva de atividades, prazos cursos, nível de instabilidade no emprego e a competição exagerada no ambiente corporativo, geralmente, fazem parte da vida dos profissionais e, em algumas situações, até funcionam para ampliar a capacidade de adaptação da pessoa no trabalho. Só que essas exigências podem afetam o ritmo físico e psicológico do indivíduo, gerando as chamadas "doenças de trabalho".

O estresse é um dos problemas mais comuns nesses casos e que também se torna um vilão quando o assunto é produtividade. Além de afetar o rendimento, esse mal pode ser percebido pela manifestação de alguns sintomas físicos: como fadiga, dor no pescoço e na cabeça, irritabilidade, sensação de angústia, insônia, falta de concentração e dificuldades na visão.

Para a especialista Sueli Brusco, "o estresse deve ser combatido desde os níveis iniciais, quando ele ainda não está comprometendo o desempenho. Quanto mais tarde deixar para tratar qualquer patologia, mais visível ela pode se tornar diante da equipe e causar um ambiente desfavorável na produtividade e junto aos colegas de trabalho".

Fernando Montero, Diretor de Operações da Human Brasil, empresa especializada na seleção e recrutamento de talentos, recomenda e destaca quatro fases para o funcionário seguir em momento de estresse. "Analise e conheça o que ocorre, tome a iniciativa (re) definindo objetivos, planeje a rotina de tarefas e, siga o plano (pré)-estabelecido".

E desorganização, influencia no rendimento?

desorganizaçãoAcúmulo de papéis, mesa desordenada, dificuldade na localização de documentos no momento necessário. Segundo a professora em cursos de MBA da FGV, Daniela Lago, a desorganização influencia sim no rendimento e esse pode ser o grande problema de perca de produtividade para muitos profissionais. "A organização de suas atividades contribui, definitivamente, para que o funcionário seja produtivo, afinal ele organiza seu tempo para as tarefas, planeja e faz com antecedência aquilo que é de sua responsabilidade. Vale ressaltar que apenas ser organizado ao planejar suas atividades não basta, é preciso partir para ação e gerar resultado".

O coach Carlos Contar relata que "o profissional mais organizado possui uma maior noção de prazos, tarefas a serem feitas e seus respectivos impactos, bem como, tem uma maior agilidade na rotina do dia-a-dia".

Uma medida prática para organizar está relacionada com o adequado manejo das interrupções no trabalho.
Fernando Montero, Diretor de Operações da Human Brasil, relata um desses modelos. "É conveniente se programar para uma hora de tranquilidade diária (melhor pela manhã), onde normalmente não estamos para ninguém. Este momento tem por objetivo possibilitar-lhe se dedicar nas tarefas importantes e na organização de sua mesa com tranquilidade absoluta".

Quero minha motivação e produtividade de volta!

motivaçãoA melhor forma para aumentar o rendimento nas atividades é fazer o que gosta, com dedicação e domínio sobre o assunto. Essa relação de aumento na produtividade está muito ligada com a motivação, por isso, buscar realizar com satisfação e prazer às tarefas diárias é muito vantajoso para alcançar os melhores resultados.

Mas se você está realizando um trabalho que não lhe agrada ou não lhe satisfaz há algum tempo, então, deve pensar seriamente sobre o rumo que sua carreira está tomando e se não é à hora de buscar novos caminhos para a sua profissão. Talvez uma atividade nova, uma mudança de foco numa tarefa ou na área. Se isso não resolver, talvez seja o momento de pensar em mudar de empresa.

Só que a especialista Daniela Lago faz uma advertência. "Vale a ressalva de que é fundamental saber o que realmente se quer da carreira antes de sair mudando de empresa. Pois não adianta nada você mudar de ambiente e levar junto sua insatisfação com o trabalho, pois os problemas na nova empresa tendem a se repetir".

A chave contra o marasmo improdutivo e a queda de produtividade deve partir de cada um, para que assim seja possível almejar sempre a melhor performance dentro da carreira.

Veja os seis pilares da auto-estima a ser praticado para reverter o quadro de desmotivação no trabalho e ser uma boa influência com os colegas, indicados pelo consultor Fernando Montero.

a) Viver conscientemente.
b) Aceitar a si mesmo.
c) Responsabilizar-se pelas próprias ações.
d) Auto afirmar-se.
e) Viver com propósito e assumir desafios.
f) Atuar com integridade e ética em suas ações.


Por Fábio Bandeira de Mello, www.administradores.com.br

Quando a produtividade cai no trabalho: Veja qual é o papel do chefe

Especialistas fazem uma análise sobre os erros e acertos que líderes podem fazer para incentivar seus funcionários


"Minha equipe rendia, estava conseguindo concluir as metas mensais, mas de repente a produtividade está em queda. O que será que aconteceu? O que devo fazer quando percebo que a produtividade da minha equipe diminuiu"?

Não é difícil encontrar exemplos de gestores e chefes que passam por essa situação. Às vezes, apenas um membro desmotivado ou desinteressado na equipe é responsável pela queda de rendimento do grupo todo. Outras vezes, algumas restrições impostas pela empresas atrapalham o desenvolvimento das tarefas. Mas em muitos casos, a culpa da queda de produtividade está relacionada como o chefe lida com as atividades e até como lida com sua própria equipe.
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De acordo com Fernando Montero, diretor de operações da Human Brasil, empresa especializada na seleção e recrutamento de talentos, essa lista de insatisfação dos colaboradores pelos chefes podem constar, por exemplo, ausência de objetivos, falta de planejamento e prioridades, reuniões mal planejadas, ausência de delegação, não saber dizer 'não' e erros de comunicação.

Já para a especialista em psicologia comportamental e automotivação, Sueli Brusco, o principal vilão é a falta de reconhecimento por parte dos líderes. "Manter equipes motivadas, comprometidas e com foco em resultados é uma tarefa que demanda bastante empenho dos líderes. Ao não se sentir reconhecido o profissional se desmotiva, e com essa realidade outros vilões acabam potencializando a falta de rendimento".

foto 2A ausência de soluções que ocasionam a queda de rendimento pode gerar novos problemas, transformando-se em uma verdadeira "bola de neve" de transtornos. Nesse contexto, modificar essa postura que está acarretando o mau desempenho entre os profissionais torna-se uma prioridade. "Por isso, quando a produtividade cai, deve-se avaliar as razões que levaram a essa queda", avalia Daniela Lago, consultora em Recursos Humanos e professora em cursos de MBA da FGV. Para ela, "o líder é o principal responsável em fornecer apoio à sua equipe para superar os problemas da queda no rendimento".

Valorize o profissional com quem trabalha

Um dos papéis de uma boa liderança é desenvolver alternativas que não só incentivem, mas também reforcem o reconhecimento pelo empenho do profissional. Nessa hora, algumas orientações do chefe aos subordinados podem colaborar na motivação dos funcionários.

foto 3Antes de tudo, recomenda-se ao chefe orientar sua equipe quanto ao planejamento e a delegação das tarefas. É preciso também escutar novas ideias e propostas da equipe, orientar diretrizes, reconhecer bons trabalhos e tentar extrair as melhores virtudes dos membros do grupo nas atividades realizadas.

Já quando há queda de rendimento, o consultor Carlos Contar, da Business Partners Consulting, relata que o gestor deve trazer o profissional para o foco no trabalho, entendendo e trabalhando nos motivos que ocasionaram essa queda de produtividade. "O bom gestor tem que estar sempre do lado do profissional para apoiá-lo".

Bonificações dão resultados?

Muitos líderes e chefes utilizam de medidas alternativas para incentivar e melhorar o rendimento dos funcionários dentro da empresa. Incentivam com bonificações, destacam o funcionário do mês, oferecem novos treinamentos. Mas será que isso traz resultado?

foto 4De acordo com a especialista Sueli Brusco traz sim, pois a motivação é uma energia psicológica que atualiza o desempenho humano. "Qualquer forma de motivação é capaz de determinar o comportamento e promover mudanças. A bonificação, além de incentivar, transforma o empenho em reconhecimento".

O especialista Fernando Montero também acredita nessa corrente. Para ele, o incentivo por meio de bonificações e benefícios pode melhorar o rendimento dos funcionários dentro da empresa. Porém, antes disto, é preciso que eles sejam orientados e treinados a trabalharem por metas e resultados antes mesmo de se estabelecer incentivos.

Entretanto, quando falamos em motivação devemos lembrar que as expectativas são diferentes para os funcionários. A especialista em RH, Daniela Lago, adverte sobre "o que funciona para uma pessoa, nem sempre funciona para os outros. Por isso, não pense que uma única ação de estímulo motivacional vai funcionar para toda sua equipe. O líder deve ouvir atentamente o que estimula sua equipe e oferecer estímulos diferentes para as pessoas. Como por exemplo: um elogio, propor desafios no trabalho, projetos novos, valorizar bons trabalhos e etc".

O que faz mais efeito: Falar mais ou ouvir mais?

Uma grande premissa da comunicação é: primeiro compreender para depois ser compreendido. E de acordo com a especialista, Daniela Lago, essa é uma característica que compõe um bom perfil de liderança. "É importante ouvir ativamente o que está acontecendo com a equipe, só assim o líder poderá gerar os estímulos corretos para que sua equipe se motive".

A especialista indica que cada caso merece uma ação diferenciada por parte do líder e dá uma dica. "No que tange à conversa, as críticas sempre devem ser feitas em particular. O elogio, sim, é público! Nunca o contrário. Entretanto, dependendo da situação da empresa o líder deve avaliar a melhor estratégia a ser adotada. Há casos em que é necessário que se faça uma comunicação geral. Para corrigir comportamentos específicos, no entanto, é imperativo que se converse em particular", afirma Daniela.

"O mala da empresa"

foto 5Infelizmente, é comum encontrar nas empresas aquele funcionário ocioso ou "reclamão," na qual, sua produtividade é bem abaixo do esperado. Esse profissional pode acabar gerando problemas em cadeia e atrapalhar o rendimento de toda a equipe.

A razão pode ser falta de interesse no trabalho, pois muitas pessoas não sabem exatamente o que querem e acabam culpando a empresa por sua insatisfação. Outra situação é a falta de vontade em aprender novas atividades ou ausência de persistência ao enfrentar obstáculos na empresa.

Nesses casos, o líder deve intervir para modificar esse comportamento do profissional e, de preferência, motivá-lo na realização das tarefas. Isso pode ocorrer através de uma conversa franca, reconhecimento no trabalho feito, variar as atividades realizadas, novos treinamentos ou até mesmo na transferência do profissional de setor. Em casos extremos, a demissão do funcionário pode ser até a melhor solução para ambas as partes.

Rede Social vilão da produtividade?

Mas não há dúvidas, um dos campeões de reclamação dos chefes quando o assunto é produtividade, está na utilização das redes sociais no trabalho pelos funcionários. De acordo com o consultor Fernando Montero, interrupções no Twitter, Orkut e Facebook geralemte interferem no ritmo do trabalho e na concentração. "Na medida em que gera interrupções e provoca desvio de prioridades, essas redes atuam não apenas como "vilões de produtividade", mas como também verdadeiros "ladrões de tempo."

foto 6Para a consultora em motivação, Sueli Brusco, é preciso ter bom senso na utilização. "Se o funcionário fica três horas no Facebook, foram três horas perdidas de trabalho. Se ele continuar com esse ritmo dia-a-dia, no final do mês a falha no plano de meta pode estar nela. Por isso deve saber utilizar com discernimento".

A especialista Daniela Lago também acredita que é preciso ter controle ao utilizar as redes de relacionamento. "O uso excessivo das redes sociais e a navegação na internet fazem as pessoas se distanciarem do foco principal da empresa: os resultados! Vale ressaltar que sou a favor de que os funcionários tenham acesso às redes sociais, pois elas são importantes para momentos de 'descompressão' no dia-a-dia corporativo".

Encarar os problemas

É comum que chefes encontrem dificuldades e problemas no ambiente de trabalho. E o  importante nesses momentos é que o líder não se omita de que realmente existe uma situação para ser resolvida. A tarefa do líder, não é apenas buscar o melhor resultado para a organização, mas também encarar e superar os obstáculos e dificuldades que podem surgir no trabalho.


Por Fábio Bandeira de Mello, www.administradores.com.br
 

O grande ator nas organizações: o ser humano

Quando observo os fatos do cotidiano sempre fico pensando como é difícil e ao mesmo tempo fácil ser verdadeiramente um ser humano. Parece-me que o estado de espírito comanda nossos comportamentos. Parece-me que nossos valores, aquilo que acreditamos como correto, nos influenciam, agimos de maneira inconsciente e consciente, temos controle, perdemos o controle, afinal somos seres humanos. Ao agirmos, vem a reflexão sobre nossos próprios atos e, a partir dela, passamos a nos comportar de uma maneira diferente, aprendendo a viver melhor. Nossa consciência bate à nossa porta e nossos valores entram em cena.

Nossas percepções sobre o mundo, sobre as relações, sobre os processos que diariamente vivenciamos começam a ter maior sentido para que possamos ser seres humanos mais felizes. Somos direcionados por uma força interna, mas também temos de aprender a respeitar o próximo e, assim, viver em comunidade. O ideal está longe, mas a felicidade depende de cada um e das escolhas que fazemos nos processos de relacionamento com outros seres humanos. Nos ambientes organizacionais, as preocupações são as mesmas, busca-se a humanização: o respeito ao trabalhador enquanto ser humano. A natureza verdadeiramente humana, segundo Morgan (1996), é construir as organizações em função das pessoas e não das técnicas.

Parece-me que vivemos entre acertos e erros. Na busca do equilíbrio. Quantas cenas diárias não acontecem no cotidiano das organizações! Imagine uma cena de desentendimentos, de contradições, de tristeza e até mesmo de decepção, qualquer uma. Quem não as tem? Imagine uma cena de entendimentos, de alegria, de comemoração, de reconhecimento. Imagine-se uma nova descoberta. Tenho refletido muito sobre a essência do viver e neste sentido fico pensando que as experiências poderiam ter maior significado se, simplesmente, não passássemos por elas, mas as vivenciássemos.

Parece-me que a corrida está em fazer o que ainda está para ser feito, e não em pensar antes da tomada de atitude, observar a extensão de nossos atos e discursos, refletir antes de agir, pesando as consequências. Para isso, é fundamental que, nos ambientes organizacionais, o ser humano não continue a agir por impulso, pela dinâmica e pressão que lhe é imposta. Vive-se um ritmo alucinante, simplesmente passando pelos momentos. É fundamental, reafirmo: viver os momentos e com eles aprender os inúmeros significados da essência do viver.

O fato é que precisamos aprender a valorizar e a comemorar cada movimento, para vivermos intensamente nossas experiências de vida. Não é diferente no ambiente de trabalho: o ser humano está ali, pronto para crescer no desenvolvimento de suas atividades, nos relacionamentos dos quais participa; enfim, está ali pronto para ser feliz, mas não em um "mundo perfeito".
Para Moggi (2008), organizações são "organismos vivos por excelência"; ao ampliarmos nosso olhar sobre elas, ficamos perplexos diante de sua complexidade. Uma pessoa pode buscar qualidade de vida, outra, crescimento pessoal, desenvolvimento profissional, entre tantas aspirações. Sempre olhei para as organizações como organismos sociais.

Você já conseguiu imaginar o mundo sem organizações? Sem o viver e conviver em sociedades? Precisamos aprender com nossas percepções, nossas habilidades e nossos conhecimentos. Precisamos contemplar o nosso interior e perceber que nós somos parte fundamental na busca conjunta da felicidade que tanto almejamos nos ambientes organizacionais. Precisamos entender que nas organizações da contemporaneidade a diversidade se faz presente. Diversidade implica práticas distintas e simultâneas em uma organização, ou seja, as diferenças existem e convivem, contrapontos são vistos como naturais e permitem às pessoas o seu aprendizado e consequente crescimento.

Se organizações são comunidades sociais, constituídas de pessoas que, ao se relacionarem, constroem significado, é natural nesses ambientes o respeito ao ser humano e o viver em ‘comunidades de prática'. Nesse contexto, a dimensão que a comunicação assume em uma organização está muito mais vinculada ao seu aspecto formativo, constitutivo de uma realidade, do que ao nível informacional. É preciso centrar o olhar na construção dos processos, no desenvolver relações, no construir e constituir o saber, privilegiando-se dessa forma a humanização nos ambientes organizacionais.

 

Por Marlene Marchiori - www.administradores.com.br

*Marlene Marchiori é Pós-doutora em Comunicação Organizacional pela Purdue University, dos Estados Unidos. Doutora pela Universidade de São Paulo, com estudos desenvolvidos no Theory, Culture and Society Centre da Notthingham Trent University, do Reino Unido.

 

 

7 lições para manter a harmonia na empresa


O chefe distribui as ordens aos gritos, um funcionário revida falando mais alto, um terceiro reclama da má-educação da equipe, um quarto rebate com críticas a outro colega... Convenhamos, ninguém merece trabalhar num lugar assim! Se você quer passar longe desse perigo, é bom ficar atento a alguns erros que podem prejudicar a convivência entre os colegas de trabalho. A psicóloga Clarissa de Franco, professora da pós-graduação em RH da Faculdade Anchieta, em São Paulo, ensina quais são essas armadilhas e explica como escapar delas.

1. Concentre-se nas suas atividades..., mas não se isole
“É preciso concentrar-se nas próprias atividades, mas estar atento ao outro, cooperando sempre que possível. Se um funcionário permanece dentro de seu mundo de expectativas, metas, tarefas, passando a enxergar os parceiros apenas como agregados do ambiente de trabalho, sua visão tende a subjugar a importância da equipe com um todo”.

2. Interaja com os colegas..., mas seja discreto
“Se estamos conectados ao ambiente, é menos provável que cometamos erros. No entanto, se um funcionário olha demais para o lado, buscando saber o que os colegas estão fazendo, a hora em que estão chegando, qual o salário deles... isso também gera problemas, pois ele está se tornando invasivo e indiscreto”.

3. Seja observador..., mas não procure falhas no vizinho
“Cada um deve possuir consciência de seus limites e deveres e nunca devemos apontar as falhas de um colega em tom de fofoca ou de modo comparativo, dizendo, por exemplo, que 'fulano não faz isso e eu tenho que fazer'”.

4. Converse..., mas não vá direto ao chefe
“Se você tem um problema com um colega, tente solucioná-lo com o próprio antes de levar a questão à chefia. Caso contrário, você poderá ser visto como fofoqueiro, antipático e até traidor.”

5. Discuta a relação..., mas pondere suas palavras
“Na hora de abrir o jogo com o colega, fique atento ao modo como fala e ao conteúdo do que é dito. É preciso certificar-se de que o outro está acompanhando seu raciocínio e, ao mesmo tempo, ter certeza de aquele diálogo está sendo travado em benefício da empresa e de todos que lá convivem, e não por uma questão de orgulho ou desavença pessoal”.

6. Ouça... e também reflita sobre o seu papel
“Na conversa, não critique apenas. Ouça, aceite críticas e procure refletir honestamente sobre o que está sendo dito. Às vezes, podemos descobrir que quem precisa mudar somos nós e não os outros”.

7. E, acima de tudo, coopere com os colegas
“O que importa, dentro de uma empresa, é cada qual realizar suas tarefas do modo mais positivo possível, buscando um clima de parceria e cooperatividade. O time só vence quando cada jogador tem consciência de seu papel, garra e precisão para desempenhá-lo corretamente e generosidade para passar a bola na hora certa para quem estiver melhor posicionado. Vaidade, com certeza, só atrapalha o resultado final”.

Por Michelle Veronese - www.administradores.com.br

Como lidar com problemas pessoais no ambiente de trabalho



Família. Amigos. Saúde. Finanças. Estudo. Sentimentos. Não é uma tarefa fácil deixar o mundo acontecer lá fora enquanto se está trabalhando; separar aspectos essencialmente pessoais, enquanto vivemos nossos momentos profissionais, pode ser uma tarefa dura, e cheia de percalços. Tentar suprimir problemas que afetam o equilíbrio emocional e minam a tranquilidade para dar vazão a uma postura que se adeque melhor ao ambiente corporativo sempre foi uma questão difícil, principalmente na cultura latina.

Segundo o palestrante e conferencista Tom Coelho, é praticamente impossível separar a vida pessoal da vida profissional. “Trabalho com um conceito segundo o qual temos ‘Sete Vidas’. São, em verdade, sete dimensões formadas pela saúde, afetividade, vida profissional, cultural, social, material e espiritual. São sete vidas que coexistem dentro de nós e nos acompanham, diariamente, onde quer que estejamos. E são indissociáveis. Na prática, basta imaginar a dificuldade de se trabalhar com afinco e entusiasmo quando há preocupações com contas vencidas, parentes enfermos ou desilusões amorosas. Eventos deste tipo interferem na produtividade, na atenção e no interesse pela atividade laborativa”.

Porém, apesar disso, o que se espera é que, durante o tempo em que o profissional permanece na empresa, sua dedicação seja exclusiva e focada, sem dispensar muita energia com assuntos particulares. “Também não podemos levar situações profissionais para o lado pessoal (como, por exemplo, uma crítica a uma tarefa realizada ser interpretada como uma ofensa à pessoa; ou, pelo fato de manter um vínculo de amizade fora do trabalho, extrapolar numa discussão profissional). O fato é que não podemos nos esquecer que somos seres humanos, e, por isto, em algum momento teremos algo da vida particular que poderá afetar a vida profissional, como o caso de um profissional que está com a mãe muito adoentada; com certeza sua preocupação vai refletir no seu desempenho diário. Vale salientar que não somos de ‘ferro’, mas esta separação (profissional X pessoal) é um discernimento importante”, comenta Adriana Souza, analista de RH da Catho Online.

Tentar fingir que os problemas não existem também não é solução, pois, geralmente, as empresas conseguem notar que algo de errado está acontecendo com seu funcionário, conforme afirma Adriana. “Os comportamentos variam de pessoa para pessoa, cada um tem um tipo de reação, mas normalmente, um funcionário com problemas pessoais apresenta queda no desempenho (qualidade e produtividade), alterações de humor, isolamento, baixa atenção, fácil dispersão, dentre outros”. Fato é que nem sempre a empresa poderá ajudar um profissional com problemas, visto que, muitas vezes, estes problemas ultrapassam o contexto organizacional. Porém, algumas vezes, uma conversa para aliviar a tensão pode ajudar o profissional a ter mais clareza para encontrar uma solução que esteja ao seu alcance, ou, pelo menos, poderá deixá-lo com a sensação de que ele é importante para a empresa. ”O mesmo serve para o caso de algum problema que exija afastamento do profissional para resolvê-lo, ou até mesmo para lidar melhor com ele (como no caso de morte de ente querido). A compreensão da empresa e o apoio são importantes para que o profissional se sinta valorizado”, comenta ela.

Na opinião de Tom Coelho, na maioria das vezes, as empresas podem e deveriam, sim, ajudar seus profissionais com problemas. “Se o problema for de ordem financeira, a empresa pode ajudar concedendo um adiantamento salarial ou um crédito consignado. Já se for uma questão de saúde, oferecendo cuidados imediatos e aconselhando o profissional a buscar o devido tratamento. Se o caso for de dependência química, sugerindo uma terapia. O RH ou Departamento de Saúde Ocupacional da empresa deve agir como um autêntico aliado”, atesta.

Comunicar à empresa que você está com problemas é sempre uma boa opção, na visão de Tom. “Deve-se compreender que o superior hierárquico não tem bola de cristal para saber o que está se passando, de modo que pode avaliar sua apatia como desinteresse ou até desleixo. Informe-o, ainda que superficialmente, que está passando por uma fase difícil, mas que está em busca da superação. Todavia, dependendo do nível de seu relacionamento com o gestor, talvez seja necessário filtrar as informações, relatando o problema com dimensão menor do que a real”.

Problemas de ordem pessoal, invariavelmente, acompanham o profissional. Os especialistas frisam que o mal não está em trazê-los para a empresa, mas na forma como estes problemas são compartilhados. Não se abrir equivocadamente para que isso não resulte em uma exposição indesejada é algo digno de atenção.

Porém, se você está passando por algum momento pessoal, que acredita estar interferindo em sua performance profissional, os especialistas dão algumas dicas: “inicialmente, evite o isolamento, deixando de compartilhar seus problemas com as pessoas mais próximas. Passamos ao menos oito horas envolvidos com o trabalho, e se você não conversar com alguém, sua cabeça pode virar uma panela de pressão prestes a explodir! Entretanto, evite também a exposição demasiada. Você não precisa dividir seus anseios com todos ao redor, até porque no ardiloso ambiente corporativo há muitas pessoas à espera de descobrir suas fraquezas para lhe atacar. Seja seletivo. E seja também discreto. A menos que trabalhe em um espaço delimitado por uma sala privada, com boa vedação acústica, onde seja possível trancar a porta, cuide para que seus assuntos pessoais sejam tratados reservadamente. Assim, afaste-se para falar ao telefone ou travar aquela batalha verbal comum a muitas discussões. Se o embate for pelo computador, certifique-se de fechar a tela que contém o diálogo ao sair do ambiente. E jamais, jamais chore em público. Alguns serão solícitos e lhe oferecerão carinho e apoio. Mas outros não se esquecerão deste seu momento de fragilidade. E usarão isso contra você no futuro”, aconselha Tom.

E Adriana, da Catho Online, nos diz para nos atentarmos também aos seguintes pontos:
1) ao manter relacionamentos de amizade fora do ambiente de trabalho, cuidado para não adotar a postura de "reclamão", falar mal do trabalho, das pessoas, etc. Lembre-se que esta pessoa trabalha contigo e que seus comentários poderão gerar conflitos se forem levados para dentro da empresa;
2) se você costuma sair com seu chefe e equipe para happy hour, não tente manter a mesma intimidade no ambiente de trabalho: o que pode ter sido engraçado numa ocasião informal, pode ser inconveniente no trabalho;
3) cuidado para não se sobrecarregar de problemas, querer resolver problemas de ordem pessoal e problemas de ordem profissional ao mesmo tempo. Avalie o momento, o tempo necessário e os recursos para esta solução.
4) na medida do possível, não leve "trabalho" para casa (problemas) e nem de casa para o trabalho. Procure lidar com cada situação em seu contexto inicial;
5) caso aconteça algum evento que o aflija, ou se estiver passando por uma situação difícil, deixe seu líder a par disso. Talvez ele não possa ajudá-lo, mas poderá apoiá-lo em alguma decisão.

As 10 atitudes que mais atrapalham durante o trabalho

Elas podem ser provocadas propositalmente, ou sem querer. Por isso, verifique se age da maneira descrita e mude!


 
Por mais que você seja uma pessoa calma, tranquila, que ama o seu trabalho, certamente existem situações que se apresentam no dia-a-dia da empresa que o deixam completamente irritado. Pois saiba que não é o único a se sentir assim. A convivência em grupo é bastante complicada e, em muitos casos, é preciso muito jogo de cintura para poder estar no local que se deseja, fazendo o que gosta.

Por isso, o InfoMoney ouviu especialistas e selecionou atitudes que mais atrapalham a rotina no trabalho. São atitudes que podem ser tomadas propositalmente, ou sem que se perceba. Por isso, elas servem, acima de tudo, para que você identifique se não está agindo da maneira descrita, o que significa que também está atrapalhando a equipe.

Confira as atitudes
Confira abaixo quais foram as respostas dadas pela consultora do IDORT/SP, Aparecida Bucater, e pelo consultor da Robert Half, Roberto Britto:
1.   Toque do celular: se você adora a música que toca em "chamada a cobrar" ou qualquer outro hit do momento, pode ser que seus colegas não gostem. Ainda mais se ela tocar enquanto ele estiver concentrado terminando um trabalho que é para daqui a meia hora. Por isso, sempre o celular deve estar no silencioso.
2.   Intrometidos: são aquelas pessoas que não perdem a oportunidade de participar de uma conversa, mesmo que não tenham nenhuma relação com o assunto. Se você não conhece, certamente já ouviu falar de alguém assim. "Elas perdem o foco tentando saber sobre problemas que não lhe envolvem", afirmou Britto, da Robert Half.
3.   Chegar atrasado a reuniões: isso é sinal de falta de comprometimento, principalmente se a reunião já estava marcada há dias.
4.   Brincadeiras fora de hora: "a descontração é importante no trabalho, mas desde que não atrapalhe o alcance dos resultados", disse Aparecida, do IDORT/SP. Muitas vezes, a pessoa não percebe que está exagerando.
5.   Perfume forte: a aparência é tudo no trabalho, mas existem pessoas que exageram. Os alérgicos são os primeiros a detectar.
6.   Comer coisas na mesa: se o alimento tiver um cheiro forte, fica pior ainda. Se o lanchinho for feito próximo do horário de almoço, ou no fim da tarde, o cheiro pode incomodar bastante os colegas que estão com o estômago roncando, mas sem tempo nem para beber uma água. Não custa nada ir até a copa para comer.
7.   Invadir o espaço alheio: sentar na cadeira do colega, mexer em suas coisas - mesmo que seja um livro, uma caneta -, atender ao telefone celular podem incomodar o colega e deixá-lo irritado.
8.   Sair e não deixar o telefone fixo com toque desligado ou na caixa postal: se for uma pessoa bastante requisitada, a situação piora, pois os colegas começam a fazer papel de secretária.
9.   Não avisar sobre ausências ou atrasos: enfim, não ter comprometimento. "Atrapalha muito no dia-a-dia no trabalho a pessoa que é relaxada com prazos; que sai correndo quando o horário de trabalho acaba, mesmo tendo atividades a fazer; e que não demonstra iniciativa", disse Aparecida.
10.  Se prolongar em assuntos pessoais ao telefone: "É claro que a pessoa não vai ficar isolada da vida pessoal dela quando estiver no trabalho, mas tem assuntos que podem ser tratados em outra ocasião", ponderou a consultora do IDORT/SP.

Enfim, é importante ficar atento a todos esses itens: "A maioria das pessoas são demitidas não por aspectos técnicos, mas por aqueles ligados à postura", disse Aparecida.

Por: Flávia Furlan Nunes, InfoMoney

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Acredite: só a união gera resultado


Se você dirige uma equipe, um departamento ou uma empresa, precisa entender uma verdade: quando as pessoas lutam para realizar sonhos diferentes, seu poder enfraquece.

Por exemplo, quando, em um hospital, alguns profissionais trabalham para ganhar dinheiro e outros para salvar vidas, as metas tornam-se diferentes, os esforços são divergentes e é pouco provável que os resultados obtidos sejam os mesmos.

A administração do hospital pode ter uma visão clara dos negócios na área hospitalar, equipar-se, fazer altos investimentos. Mas, se não conseguir o comprometimento das pessoas, os projetos acabarão sendo engavetados, e os aparelhos, subutilizados. E os conflitos surgirão de modo inevitável.

Aproximadamente 80% dos programas de desenvolvimento que as empresas se propõem a executar são interrompidos em menos de seis meses, porque as lideranças falham no trabalho de conseguir o comprometimento de todos. A equipe não se motiva, não cumpre sua parte no trabalho e, aos poucos, os obstáculos vão surgindo, até que o projeto vai de vez por água abaixo.

Qualquer proposta que não motive os colaboradores de uma organização está fadada ao fracasso. Por isso, às vezes é mais interessante escutar todos antes de implantar um novo programa. De fato, no início é mais demorado. Mas depois todos passam a colaborar.

O bom líder sabe que a organização é como um corpo: quando uma das partes não está funcionando adequadamente, o conjunto fica comprometido. Quando não existe espírito de grupo, os interesses pessoais prevalecem, transformando a empresa em um campo de batalha. Abre-se espaço para o desespero, e o famoso vírus do salve-se-quem-puder começa a produzir seus efeitos letais, atingindo todos os escalões, contaminando toda a organização, provocando conflitos, estresse e improvisação. Cada um quer resolver os problemas à sua maneira e frequentemente os esforços se anulam porque são contraproducentes.

É mais ou menos como aquela equipe de futebol em que cada jogador quer decidir o jogo sozinho, desprezando a força do grupo.

Onde impera a desordem, quem acaba vencendo não é quem sabe mais, mas quem grita mais, quem passa rasteira melhor, quem urde intrigas mais intensamente. É uma verdadeira tragédia, que mina todos os planos de desenvolvimento empresarial.
Em momentos de desespero desse tipo, alguém precisa ter a lucidez de acalmar o grupo e convocar reuniões em que as pessoas possam desabafar, para procurar soluções melhores e voltarem a se unir em torno dos objetivos.


por: Roberto Shinyashiki

terça-feira, 6 de julho de 2010

Como você quer ser reconhecido: "profissional talentoso" ou “carregador de piano”?

Em nossas carreiras dificilmente seremos lembrados por fazer o “arroz com feijão”, ou seja, por entregar aquilo que se espera de nós. Mas seremos sim lembrados pelas inovações e melhorias que realizamos e pelo quanto isso trouxe de benefícios às pessoas e à empresa.


Hoje, devido à dinâmica competitiva e a globalização do mercado, podemos afirmar que a criatividade é vista pelas empresas como uma competência essencial para todos os funcionários. Por ser responsável pelos resultados de sua equipe, é fundamental que o líder desenvolva tanto a sua competência de criar e inovar quanto à de seus liderados, e, por fim, gerencie o processo criativo da equipe.

Algumas pessoas atribuem a criatividade simplesmente ao fato de gerar boas ideias. Na verdade, diversas vezes vemos dentro das empresas pessoas reclamando a autoria das ideias: "Pedro implementou este processo, mas eu já tinha pensado nisso, inclusive citei numa reunião de equipe um ano atrás e ninguém me deu ouvidos..." Pensando em situações similares, quem foi criativo nesse processo, quem teve a ideia ou quem a implementou?

Para responder, segue uma definição de criatividade que eu considero bem completa e prática: "A criatividade é a capacidade de transformar ideias em realidade, de forma que melhorem um processo, inovem um produto, divirtam alguém... enfim que tragam benefícios às pessoas, às empresas, à sociedade" (autor desconhecido).

Pensando nesse prisma, a criatividade não é uma competência isolada que funciona independentemente das demais. Posso descrever pessoas criativas como sendo aquelas que desenvolvem tanto o pensamento lógico como o abstrato, são pessoas ousadas, que não têm medo de errar, que possuem flexibilidade conceitual e estão extremamente motivadas para usar a sua capacidade de influência para transformar os diversos "nãos" que escutam em "sins".

Para o líder, a questão fundamental é: como desenvolver a capacidade criativa na minha equipe?

O primeiro passo é verificar se, como líder, você não está bloqueando o processo criativo da sua equipe ou, até mesmo, permitindo que este processo seja bloqueado pela própria equipe. Um exemplo deste bloqueio ocorre em reuniões de "brainstorm", quando o líder ou membros da equipe reagem às ideias consideradas "tolas" com gracejos, desdém ou argumentos que deixem a pessoa constrangida.

Oras! Reuniões desse tipo deveriam focar na quantidade de ideias, na construção de ideias sobre ideias, para depois, em outro momento, realizar a análise crítica.

Se isso acontece quando as ideias deveriam ser livres e bem vindas, imaginem no dia a dia? O medo de uma crítica mina a capacidade criativa, afinal, ninguém quer parecer bobo perante o time.

Para quem tem esse tipo de atitude é bom refletir que muitas vezes, enquanto a pessoa elabora e verbaliza a ideia, ainda não teve tempo de pensar em todas as suas implicações, afinal, é muita coisa para o cérebro fazer ao mesmo tempo. Por isso, é importante ter um momento no qual as ideias fluam livremente, sem críticas. A chance de, no meio destas, ter algumas boas ou mesmo geniais é muito maior do que se as pessoas ficarem com medo de serem criticadas e limitarem o fluxo de ideias.

Albert Einstein dizia: "Não existem ideias tolas, existem ideias mal compreendidas", se ele falou, quem sou eu para desdizer?

O segundo passo é a criação de um ambiente descontraído. Pensemos um instante: é mais fácil criar em um ambiente leve e amistoso ou em um ambiente pesado e antagônico?

Depois disso é preciso nivelar as informações da equipe, pois as pessoas só terão boas ideias sobre um assunto se tiverem acesso às informações suficientes para se sentirem envolvidos e, com isso, se motivarem a por em prática as mudanças.

Para finalizar, cabe analisar e selecionar as melhores ideias. Transformar tudo isso em um plano de ação com datas, responsáveis, recursos necessários e planos de contingência.

Quando criamos em equipe, o melhor processo é aquele que no fim ninguém sabe exatamente quem foi o dono da idéia e quem foi o responsável pela implementação. Todos de fato contribuíram.

Carregador de piano ou talento na empresa?
Por fim, gostaria de citar uma amiga, consultora de RH de uma multinacional, sobre o que significa hoje em dia ser um profissional talentoso. Creio que ela reflete bem a importância da criatividade em nossas carreiras.
Segundo ela, existem dois grupos de profissionais que as empresas querem manter. O primeiro corresponde aos que atingem e até superam as metas, os que chamamos de "carregadores de piano". Eles são importantes e as empresas se esforçam para mantê-los.

O segundo grupo corresponde aos "talentos da empresa". São os que atingem ou superam as metas ao mesmo tempo em que trazem inovação e mudanças. Esses profissionais são fundamentais à sobrevivência e ao crescimento da empresa, e estas farão de tudo para mantê-los. Na verdade, esse é um grupo de profissionais que pode se dar ao luxo de escolher onde vai trabalhar.

A pergunta que eu deixo para vocês é: como vocês querem ser reconhecidos? Como profissionais talentosos ou carregadores de piano?

Em nossas carreiras dificilmente seremos lembrados por fazer o arroz com feijão, ou seja, por entregar aquilo que se espera de nós. Mas seremos sim lembrados pelas inovações e melhorias que realizamos e pelo quanto isso trouxe de benefícios às pessoas e à empresa.

Essa certamente será a nossa marca, o nosso legado.

Como você está construindo o seu?

por:Juca Palácios Engenheiro formado pela Escola de Engenharia Mauá e MBA em Gestão de Pessoas pela FGV. É consultor de desenvolvimento pessoal e profissional DA CRESCIMENTUM, especialista em coaching de executivos e treinamentos comportamentais nas áreas de Liderança, Negociação, Comunicação, e formação de equipes de alta performance.

Você sabe lidar com as críticas?

Artigo do palestrante Carlos Hilsdorf sobre como lidar com as críticas construtivas e destrutivas


Quando desenvolvemos uma competência nos tornamos mais fortes diante da vida e de seus desafios. Dentro do rol das melhores competências que podemos e devemos desenvolver encontramos uma que nitidamente se destaca: a nossa competência em suportar a pressão das críticas!

As críticas se dividem em dois grandes grupos: as construtivas e as destrutivas.

Uma crítica é construtiva quando tem por finalidade contribuir com o nosso aperfeiçoamento. Por aperfeiçoamento devemos entender o foco em aprimorar nossas forças e diminuir nossas fraquezas.
No caso da crítica construtiva, quem o está criticando vai sempre apontar uma deficiência (fraqueza) ou falta de eficiência (uma força que não está sendo plenamente ou corretamente utilizada). Em ambos os casos essa pessoa está lhe fazendo um favor, porque está lhe ajudando a ampliar suas percepções a respeito de si mesmo.
Não é raro que alguém lhe faça uma crítica inesperada, daquelas que nem mesmo em seus dias de maior imaginação passariam pela sua cabeça. Nesses casos nossa primeira reação é a surpresa seguida imediatamente do julgamento de que a crítica só pode ser absurda e improcedente. É comum julgarmos absurdo ou improcedente aquilo que não passa pela nossa cabeça. Mas isso não invalida a importância da crítica!

''Quando todos pensam da mesma maneira, frequentemente, ninguém está pensando!''

Quanto mais rara for uma crítica, tanto mais importante ela tende a ser, portanto, infinitamente maior a importância de a ouvirmos com atenção e refletirmos com profundidade sobre ela.
Diante de críticas construtivas o procedimento é simples. Ouça com toda a atenção, independentemente de suas impressões e julgamentos com relação ao autor da crítica. Desenvolva um profundo respeito e gratidão pelas críticas construtivas, elas são sempre um convite ao aperfeiçoamento e um poderoso remédio contra a vaidade.

Atente para uma questão muito importante: o fato da intenção da crítica ser construtiva não significa que a pessoa que a fez tenha habilidade em comunicá-la da melhor forma. Gentileza, boa educação e habilidade interpessoal não são características comuns a todos os bem intencionados. Isso significa que em muitas situações uma crítica construtiva, que muito pode contribuir com sua vida, poderá vir em péssima ''embalagem''. Preste mais atenção no conteúdo da crítica que na sua forma. Conheço várias pessoas de valor, sinceras e bem intencionadas que não sabem dizer as coisas com ''jeitinho''. Afinal por que esperar que as críticas venham apenas de pessoas craques em relacionamento e comunicação?

Vejamos agora as críticas destrutivas.
Uma crítica é destrutiva quando tem por finalidade desestruturar, ferir, magoar ou desorientar. Observe que o fato de você ter se magoado não significa, necessariamente, que a crítica tenha sido destrutiva. Alguém pode se magoar por tendência em colocar-se no papel de vítima, baixa autoestima, falta de humildade ou excesso de vaidade, e nesses casos a responsabilidade pela mágoa é toda sua.
A crítica é destrutiva quando é apresentada com o objetivo claro de causar dano ou ofensa, visando impedir seu processo natural de evolução. Essa é uma arma muito utilizada por pessoas presas aos processos de inveja, ciúme e maldade. Sim, estas pessoas existem e em proporção bastante alta.
Mesmo nesses casos, ouça atentamente a crítica. Lembre-se que alguém na tentativa de magoá-lo pode, ainda assim, dizer-lhe uma verdade. Seus oponentes podem ser pessoas inteligentes e a crítica apesar de maldosa, pode conter elementos verdadeiros.
Nesse caso, este ''oponente'', por ironia do destino, estará lhe fazendo um bem, desde que você possua a humildade de analisar e refletir sobre o conteúdo da crítica!
Caso a crítica esteja fundamentada em conteúdo falso, maledicente ou preconceituoso, considere esse texto a seguir que escrevi em meu livro Atitudes Vencedoras:

Pedras e frutos
''Não se atiram pedras em árvores sem fruto; toda tentativa de apedrejamento visa sempre derrubar os frutos. Inocente ignorância dos apedrejadores, porque, mesmo conseguindo o feito, se esquecem de que os frutos caídos no chão experimentarão o tempo e a decomposição e voltarão a frutificar, de uma ou de outra maneira, pois cada semente dá origem à essência interior que carrega. Já as pedras caídas no chão permanecerão pedras, e as mãos que as atiraram terminarão vazias, tão vazias quanto o coração e a alma que lhes ativaram o movimento. ''

por: Carlos Hilsdorf
Economista, Pós-Graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Autor do livro Atitudes Vencedoras.