quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sinergia Gerencial

Temos o costume de pensar nos líderes como indivíduos excepcionais, dotados de alto QI (intelectual e emocional), clarividentes,  intuitivos, autoconfiantes, carismáticos e que,  em virtude dessas características excepcionais,  dispensam a ajuda de terceiros.

Posto nesses termos fica a impressão que a divisão do poder, responsabilidades e trabalho em equipe,  que é um princípio fundamental das Organizações complexas, começa no chão da fábrica (ou escritório) e termina na porta de entrada da sala do CEO e do grupo executivo. Daí em diante tem inicio o primado dos egos e talentos solitários.

É um engano. É mais uma das inúmeras lendas organizacionais que plagiamos sem realmente pensar na veracidade da asserção.

A verdade é que trabalhar em equipe, compartilhar objetios, informações, decisões, poder, planos, confidências, inquietações e sentimentos é vital para a eficácia gerencial. O sucesso não é uma estrada solitária e sim uma estrada a ser trilhada em boa companhia

Vez ou outra alguém se lembra que os lideres não trabalham e nem decidem sozinhos. Quando o  Czar Nicolau II (1894 – 1917) aceitou o místico Rasputin (1864 -1916) como conselheiro, complicou ainda mais a já complicada sobrevivência do regime imperial russo.

John Kennedy, um líder carismático, popular, nunca escondeu o fato que era assessorado por um estafe de ministros, secretários de estado e conselheiros composto por figuras fortes como Dean Rusk, Robert McNamara, Robert F. Kennedy, Arthur M. Schlesinger, dentre outros.

A regra, porém, é transformar os colaboradores em coadjuvantes e exaltar o “rei”; individualizar as virtudes do líder no lugar de coletivizá-las.

A propósito: quais foram os assessores (coachs, mentores, confidentes etc.) de Jack Welch, Bill Gates e outros líderes empresariais bem sucedidos? Pode ser que você (caro leitor) e eu não nos lembramos, mas com certeza os dois personagens citados lembram.


Portanto, a liderança eficaz tanto quanto a qualidade dos produtos e serviços depende de uma divisão eficiente do trabalho em grupo. A questão é que os lideres também são liderados, no bom e no mal sentido, por subordinados, pares, superiores, consultores e assessores influentes.

Sob este prisma a atual ênfase na caça e retenção de talentos individuais deve incluir  a caça, desenvolvimento e retenção de talentos coletivos (equipes). Em outras palavras, no lugar da visão psicologizante que se contenta em discutir a personalidade e o estilo de liderança,  a visão sistêmica do fenômeno da liderança é fundamental para alcançar e superar as metas de negócio.

Vou um pouco além. O sistema de gerência é uma questão tão séria que não deveria ser entregue por inteiro nas mãos dos líderes. As Organizações deveriam criar mecanismos de formação de equipes cuja lealdade e competências estivessem mais centradas na consecução metas organizacionais maiores e não em servir ou bajular o superior.



Moral da história: o liderado segue o líder tanto quanto este segue o  liderado. É isso que eu chamo de sinergia gerencial

por: Eugen Pfister

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